WWF-Brasil propõe programa de transição da eletricidade térmica para fotovoltaica em cinco anos

31/10/2015 17:43

WWF-Brasil propõe programa de transição da eletricidade térmica para fotovoltaica em cinco anos

 

Em função da crise hídrica, o Brasil tem contratado 40 TWh ano de energia térmica fóssil por ano. Essa contratação, que equivale a 7% da demanda nacional (600 TWh/ano, segundo o último Balanço Energético Nacional – BEM), gera um custo médio de R$ 34 bilhões anuais só de incentivos financeiros e mancha a reputação de nossa matriz elétrica, que até então era uma das mais limpas do mundo.

 

Um estudo inédito do WWF-Brasil mostra que, com um programa robusto de transição acelerada das fontes fósseis para a solar fotovoltaica, é possível em cinco anos suprir esses 40 TW h ano de energia fóssil por geração de energia solar distribuída. E isso usando os mesmos incentivos financeiros que vêm sendo aplicados em termelétricas nos últimos anos.

 

A publicação Mecanismos de suporte para inserção da energia solar fotovoltaica na matriz elétrica brasileira: modelos e sugestão para uma transição acelerada será lançada dia 28 de setembro, durante o 3º Seminário dos Diálogos Energéticos, no São Paulo Center, a partir das 14 horas.

Pela proposta econômica desenvolvida no estudo, a fonte solar fotovoltaica será oito vezes mais barata que a térmica fóssil, o que, ao final de cinco anos, irá gerar uma economia para a sociedade brasileira de quase R$ 150 bilhões e aumentará a participação da energia solar na matriz nacional em 7% (hoje é de 0,01%). “Alguns dos mecanismos que defendemos para essa transição acelerada são a manutenção de leilões específicos para a fonte e a promoção da geração distribuída solar”, explica André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas & Energia do WWF-Brasil.

 

Segundo o documento, se o mercado conseguir aplicar juros de até 6% ao ano, a geração distribuída terá um crescimento exponencial, visto que o custo da energia aumentou bastante em 2015 e não há previsão de redução para os próximos anos. Assim, em uma residência, por exemplo, se o proprietário quiser produzir sua própria energia, o custo do financiamento do sistema pode ser o mesmo do que seria pago na fatura de energia convencional. E ainda, caso produza além de sua necessidade, pode injetar a energia excedente na rede da distribuidora e ter desconto em sua fatura. Na prática ocorreria o seguinte: durante o dia, quando a casa não demanda tanta energia, a produção praticamente é toda destinada à distribuidora, e à noite, os moradores consomem a energia da concessionária. Isso já é realidade e, em muitos estados, já há resoluções sobre desoneração de impostos, como o ICMS, para incentivar esse tipo de negociação.

 

A energia distribuída é vantajosa pois é produzida no ponto de consumo, o que evita perdas em linhas de transmissão e dá certa autonomia energética à edificação. Ela pode ser disseminada nos telhados do Brasil, bem como ser usada no meio rural. Atualmente para que este setor se desenvolva e fomente uma cadeia produtiva nacional é preciso resolver os entraves tributários, que são as principais barreiras para o desenvolvimento do setor.

 

“Propomos uma ação continuada de cinco anos, com investimentos do Estado na mesma ordem do que já vem sendo aplicado para a contratação das termelétricas incrementais. Trata-se de uma sugestão de política pública, com redução de incentivos de forma gradativa para que a sociedade tenha energia limpa e duradoura a partir do sol”, completa Nahur.

 

O estudo apresenta ainda os principais modelos de suporte para a inserção da fonte fotovoltaica no mundo. No caso do Brasil, destaca o importante papel dos leilões na contratação desse tipo de energia e aponta a expectativa que se tem com a geração distribuída. “Nós temos potencial de ter uma matriz quase 100% renovável, para isso precisamos começar a investir de maneira eficiente em fontes diversas e limpas, como solar, eólica e biomassa, o que nos manteria na vanguarda da geração de energia renovável de forma inclusiva, limpa e com benefícios para a economia do país”, finaliza o coordenador do WWF-Brasil.

 

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